UM ESTUDO SOBRE A VIOLÊNCIA DE GÊNERO EM CATEDRAIS, DE CLAUDIA PIÑEIRO
Palavras-chave:
Literatura, Sociedade, Corpo, GêneroResumo
De acordo com os tratados internacionais, os direitos reprodutivos compõem os direitos humanos fundamentais e abrangem a liberdade e a autonomia sobre o próprio corpo, além de garantir acesso à informação e à saúde sexual. Contudo, quando se trata dos diretos individuais das mulheres, o tema do aborto ainda é um dos mais controversos nos debates sociais e politicos. A criminalização do aborto limita os direitos básicos das mulheres e expõe a estrutura social patriarcal, que historicamente, em diferentes épocas, reduziu a figura da mulher à mera “propriedade” do homem. As lutas dos movimentos feministas, ao longo do século XX e na atualidade, trouxeram importantes avanços na busca por igualdade de gênero, porém o cenário político atual alerta para ameaças consideráveis e retrocessos desses direitos, devido, principalmente, à influência do conservadorismo religioso nas ideologias políticas atuais e devido à ascensão de partidos de extrema-direita. Nesse contexto, a obra Catedrais, da escritora argentina Claudia Piñeiro, faz um retrato contemporâneo de como as instituições sociais como a família, a Igreja e o Estado se articulam para manter a ordem social de dominação sobre o corpo feminino. Ao narrar, em diferentes perspectivas, sobre a morte cruel de uma jovem e os impactos na vida de seus familiares, o suspense aborda temas como o fanatismo religioso, as imposições sociais e a violência de gênero. Dessa forma, a pesquisa tem como objetivo ampliar os debates e discussões em defesa dos direitos das mulheres, sobretudo os direitos reprodutivos, através da análise da obra de Piñeiro. O trabalho tem como método a pesquisa qualitativa, tendo em vista que essa abordagem considera haver uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A análise se apoia, principalmente, nos estudos de Pierre Bourdieu sobre dominação masculina e violência simbólica, e de Silvia Federici, sobre corpo e trabalho reprodutivo no capitalismo contemporâneo. Portanto, a pesquisa pretende ampliar essa discussão a partir da relação entre literatura e sociedade, e compreender as relações políticas, sociais e religiosas que sustentam as desigualdades de gênero.