HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA E DESIGUALDADE ENERGÉTICA: REFLEXÕES SOBRE O CASO DE RORAIMA
Palavras-chave:
Amazônia; Energia; Hidrelétricas; Justiça socioambiental; Roraima.Resumo
O trabalho apresenta uma reflexão sobre a expansão das hidrelétricas e das linhas de transmissão na Amazônia, com destaque para o estado de Roraima, único não interligado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), até o ano de 2024. A análise discute o contraste entre o potencial energético da região e o persistente déficit de acesso à eletricidade em comunidades amazônicas, revelando as contradições entre o discurso do desenvolvimento e a realidade social dos territórios impactados. A pesquisa, adota como referencial teórico a abordagem de Milton Santos sobre técnica, tempo e espaço, compreendendo o sistema técnico de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica como expressão das relações sociais e econômicas do capitalismo globalizado. O estudo emprega análise bibliográfica e documental, a partir de bases acadêmicas nacionais e internacionais, além de relatórios técnicos e dados oficiais de instituições setoriais. Essa metodologia possibilita examinar o SIN e sua relação com regiões isoladas, especialmente Roraima, identificando os efeitos seletivos e fragmentadores da expansão energética sobre a organização territorial. Os resultados indicam que, embora a Amazônia abrigue quatro das cinco maiores hidrelétricas do país, Roraima permanece dependente de sistemas isolados movidos a combustível fóssil, com custo elevado e impacto ambiental expressivo. Tal dependência reforça a vulnerabilidade energética do estado, marcada por interrupções frequentes e desigualdades no acesso à eletricidade, principalmente em áreas rurais, indígenas e fronteiriças. Essa condição evidencia que a lógica de produção e circulação da energia privilegia os grandes centros urbanos e a acumulação de capital, em detrimento das necessidades locais e da justiça socioambiental. Nota-se que o desafio energético da Amazônia, e particularmente de Roraima, exige uma compreensão integrada do território, capaz de articular soberania energética, sustentabilidade e equidade social.