REGISTRO DA PANTHERA ONCA NO SUL DE RORAIMA: ESTUDO ECOLÓGICO E CONSEQUÊNCIAS PARA O CONFLITO COM PRÁTICAS AGRÍCOLAS
Palavras-chave:
Onça pintada; Fauna roraimense; monitoramento silvestre; Conflito agropecuário.Resumo
As atividades humanas têm sido o principal fator das alterações ambientais que ameaçam a biodiversidade, colocando em risco espécies como a Panthera onca. Como predador de topo, a onça-pintada desempenha papel ecológico crucial ao regular populações de presas e manter o equilíbrio dos ecossistemas. Entretanto, devido às pressões antrópicas, a União Internacional para a Conservação da Natureza classifica a espécie como “quase ameaçada”. No bioma Amazônico, especialmente no sul de Roraima, onde ainda existem populações viáveis, o principal risco está relacionado ao conflito com a pecuária, pois o animal pode atacar criações domésticas, gerando prejuízos econômicos e levando a represálias de produtores. Esse cenário é agravado pela ausência de gestão pública eficaz, já que, apesar da existência de leis de proteção, faltam políticas consistentes de manejo, fiscalização e convivência sustentável entre fauna e atividade pecuária. O Estado não oferece assistência técnica adequada, especialmente a pequenos produtores, para a adoção de medidas preventivas como instalação de cercas, monitoramento de rebanhos ou implementação de sistemas de compensação financeira por perdas comprovadas, transferindo ao produtor rural a responsabilidade pela conservação e levando muitos a recorrer ao abate ilegal da espécie. Para monitoramento da fauna, foram utilizadas armadilhas fotográficas equipadas com sensores de movimento e infravermelho, instaladas em trilhas e margens de cursos d’água no sul de Roraima, fixadas a aproximadamente 30 cm do solo. O monitoramento teve início em janeiro de 2023, com diversos registros documentados, sendo que em 1º de julho de 2024 foi registrada uma Panthera onca, confirmando a presença da espécie na região. As estratégias recomendadas incluem a formulação de políticas públicas que integrem sustentabilidade agrícola e conservação do habitat, bem como o fortalecimento da fiscalização. Tais medidas são essenciais para reduzir a mortalidade da espécie e garantir sua sobrevivência a longo prazo, promovendo equilíbrio entre produção agropecuária e preservação ambiental no sul de Roraima.