JUVENTUDES, MÍDIAS SOCIAIS E DESINFORMAÇÃO AMBIENTAL: DIAGNÓSTICO DE PERCEPÇÕES E LETRAMENTO CIENTÍFICO
Palavras-chave:
Desinformação Ambiental; Educomunicação; Juventudes; Mídias Sociais; Popularização da CiênciaResumo
A pesquisa apresentada foi desenvolvida para a construção do projeto “Cientices” para não cientistas - mídia e ciência no combate à desinformação ambiental, realizado com turmas do ensino médio integrado ao curso técnico de Publicidade do Campus Boa Vista Zona Oeste (CBVZO) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR). O objetivo foi diagnosticar percepções, hábitos informacionais e lacunas de letramento científico, ambiental e midiático de jovens das cinco regiões do Brasil para subsidiar a criação do projeto, que teve como base inicial análise documental (CGEE, 2024; INCT/CPCT, 2024). Após a revisão, o questionário foi elaborado para aplicação online, com envio por meio de aplicativo de mensagens, obtendo respostas de estudantes entre 14 e 18 anos. Os dados indicam interesse por meio ambiente (51,8%) e ciência (50%), mas baixo domínio de conceitos básicos. Menos da metade (44,6%) do público sabe que antibióticos não matam vírus. Apesar do uso frequente das mídias sociais e aplicativos de mensagens como fontes principais de informação (Instagram com 82%, TikTok 71%, YouTube 45%, Pinterest 23%, X/Twitter 11%, Facebook 7% e WhatsApp 4%), a frequência declarada de uso desses meios para buscas por temas científico-ambientais é moderada (média 3,66 em escala 1–5). Além disso, apenas uma em cada quatro pessoas consultadas afirmou se sentir plenamente capaz de detectar as chamadas “fake news”, indicando lacuna de competências críticas (somente 25% afirmam sentir segurança para checar conteúdos) para a vivência cidadã em ambientes informacionais, sobretudo em contextos de crises. Com esses resultados, a intervenção educomunicativa foi criada, estruturada com encontros formativos (ciência, sustentabilidade ambiental, ecossistema da informação e comunicação acessível), oficinas de produção digital, capacitação para gerenciamento de mídias sociais e mostra estudantil, fundamentada em princípios da educomunicação e da educação midiática. A pesquisa confirmou a relevância de integrar ciência, mídia e território escolar como estratégia de alfabetização científica e fortalecimento do pensamento crítico juvenil frente à crise ambiental, urgência climática e ao crescimento das práticas de desinformação. Resultados parciais da intervenção no CBVZO apontam evolução na percepção científica, amadurecimento da base crítica-informacional e maior engajamento para ações de sustentabilidade ambiental.